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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Igreja na Holanda realiza culto há 800 horas para impedir deportação de família

Igreja na Holanda realiza culto há 800 horas para impedir deportação de família

Ameaçados por razões políticas, armênios contam com 300 pastores, que se revezam em cerimônia ininterrupta
A igreja em Haia, na Holanda, onde 300 pastores protestantes se revezam para impedir deportação de família Foto: Reprodução Twitter @hayarpi_3
A igreja em Haia, na Holanda, onde 300 pastores protestantes se revezam para impedir deportação de família Foto: Reprodução Twitter @hayarpi_3
HAIA - A reza como protesto e esperança. Na igreja holandesa de Betel, localizada em Haia, seus fiéis protestantes rezam por um mês e dois dias, sem interrupção, para evitar a deportação de uma família armênia. A polícia não pode entrar em um templo durante os serviços religiosos e, em razão disso, 300 pastores de todo o país se revezam para impedir a prisão de Sasun e Anousche Tamrazyan e seus três filhos.
Sasun diz ter fugido de sua terra ao ser ameaçado de morte por razões políticas. A família está na Holanda há nove anos. Agora, recebeu a ordem do governo para voltar, porque a Armênia é considerada um país seguro pelo governo holandês. A família, no entanto, não acredita nisso.
Eles tentaram permanecer no país, reivindicando uma anistia para menores refugiados, decretada em situações excepcionais pelas autoridades. Se isso for alcançado, os pais também se beneficiarão e seus problemas terão sido resolvidos. O governo holandês, contudo, parece indisposto a fazer isso.
— O futuro da família Tamrazyan não está na Holanda. Concluiu-se que eles não têm o direito de serem protegidos — disse Mark Harbers, secretário de Estado do Asilo e Migração.
O caso é especialmente difícil para o político, liberal de direita. Em setembro, ele disse o mesmo sobre Lili e Howick, também irmãos armênios de 12 e 13 anos, que há 10 anos moram na Holanda. O político primeiro ordenou a sua expulsão, alegando que a Armênia lhes ofereceria segurança, mas, em meio a grande comoção social, acabou por anistiá-los. Os Tamrazyan gostariam de tratamento semelhante para seus filhos, Hayarpi, de 21 anos, Warduhi, de 19, e Seryan, de 15 . Desde então, no entanto, Harbers mudou de ideia.
— Eu não entendo porque o nosso caso chegou ao Conselho de Estado, no momento em que poderíamos ficar. Chegaram a me dizer que se me encontrarem no trem ou na rua, me deportarão e a vida que levo terminará — disse Hayarpi à TV holandesa
O governo diz que existem cerca de 400 menores na mesma situação e que não pretende decretar uma anistia geral. Se as autoridades holandesas consideram que os solicitantes de asilo estão seguros em sua terra natal, então quer que eles voltem.
As leis em vigor respeitam os templos, mas rejeitam abusos da norma. Theo Hettema, presidente do Conselho Geral Holandês dos Reverendos Protestantes, está ciente disso.
— Nenhuma igreja teria que escolher entre respeitar a dignidade humana ou a autoridade governamental — disse ele.
Afinal de contas, ele decidiu abrir as portas para o Tamrazyan "pela fidelidade à hospitalidade eclesiástica". O tempo que Hettema quer ganhar até o secretário de Estado autorizar a permanência da família é apoiado por outros fatores. Os serviços de imigração resolvem com atrasos os pedidos de asilo, por falta de pessoal e ajustes orçamentários.
Em teoria, uma solicitação de asilo deve ser resolvida em seis meses, mas geralmente leva pelo menos um ano. Embora os maiores atrasos ocorram quando os afetados decidem esgotar todos os recursos legais ao seu alcance para ficar, a lentidão da administração foi reconhecida pelo próprio governo. Uma das razões é o fluxo de refugiados sírios de 2015.
Ao pedirem asilo, os escritórios do governo entraram em colapso.
"Cada caso deve ser avaliado com cuidado", apontam as fontes do serviço de imigração. No entanto, os atrasos são multados e, no início de outubro, as autoridades holandesas tiveram que pagar um milhão de euros aos requerentes de asilo (mil casos) que não receberam uma resposta a tempo.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Holanda reconhece massacre de armênios como genocídio

Holanda reconhece massacre de armênios como genocídio

Resolução ameaça agravar tensões entre Haia e Ancara. Matança de armênios durante I Guerra é pomo de discórdia entre Turquia e outros países

22 FEV2018
16h55
atualizado às 17h03
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O Parlamento holandês aprovou nesta quinta-feira (22/02), por 142 votos contra três, uma resolução reconhecendo como genocídio o massacre de até 1,5 milhão de armênios em 1915 pelo Império Otomano, Estado antecessor da atual República da Turquia.

Ancara não aceita caracterização de crimes do Império Otomano em 1915 como genocídio
Ancara não aceita caracterização de crimes do Império Otomano em 1915 como genocídio
Foto: DW / Deutsche Welle
A moção, que passou com o apoio de todos os principais partidos, ameaça comprometer ainda mais as relações diplomáticas entre Haia e Ancara, dois aliados no âmbito da Otan. Estas são tensas desde que, em março de 2017, a Holanda proibiu um ministro turco de fazer campanha em seu território pelo referendo constitucional que favoreceu a presidência de Recep Tayyip Erdogan.
Uma segunda moção aprovada nesta quinta-feira pede o envio de um alto funcionário do governo holandês à cerimônia formal em memória das vítimas do massacre, em 24 de abril, na capital da Armênia, Yerevan. Em ocasiões anteriores, o embaixador representara a Holanda.
A ministra do Exterior da Holanda, Sigrid Kaag, confirmou que um representante oficial será enviado, mas ressaltou: "É um sinal de respeito pelas vítimas", e não de que Haia reconheça a matança dos armênios como genocídio. Ela afirmou que o governo não vai seguir a posição do Parlamento.
Ela insistiu, ainda, que a decisão do Parlamento nada tem que ver com as atuais tensões com Ancara. "Essa questão não deve ser politizada", afirmou.
Diversos países e instituições internacionais já aprovaram resoluções semelhantes, entre os quais a Organização das Nações Unidas, a Igreja Católica, Brasil, o Parlamento e o Conselho Europeus, assim como Alemanha, Brasil, Bulgária, França, Itália, Rússia e Venezuela.
O termo "genocídio" foi definido pela ONU em 1948 como atos cometidos com a intenção de destruir, total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso. A Turquia nega que a perseguição e matança sistemática dos armênios, no auge da Primeira Guerra Mundial, constitua tal crime.
Também a cifra de 1,5 milhão de vítimas é questionada. Na impossibilidade de uma contabilização concreta das mortes, ela se baseia no fato de que antes da Primeira Guerra cerca de 2 milhões de armênios viviam no território do Império Otomano, e em 1922 seu número não chegava a 400 mil.
Deutsche WelleA Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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