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Igreja \ Igreja no BrasilDom Pedro Casaldáliga, opção pelos pobres sempre e sem medo
Foto de arquivo - RV
Cidade do Vaticano (RV) – Concluímos a nossa visita a São Felix, às margens do rio Araguaia, com um relato sobre Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia, que aos 89 anos, vive ainda naquele lugar aonde chegou em 1970, da Catalunha, na Espanha.
O Cardeal Cláudio Hummes, Presidente da REPAM e da Comissão Episcopal para a Amazônia, que esteve em visita à Prelazia nesta semana, reviu Dom Pedro e revela a emoção do encontro. Ouça a entrevista completa:
História e profecia deixaram marcas
“Pude encontrar o nosso caríssimo e tão amado bispo Dom Pedro Casaldaliga, um homem que marcou e ainda está marcando, com sua história, com sua profecia, a Igreja no Brasil e aquela região. Encontra-lo era também relembrar toda a história bonita da Igreja nesta região”.
Com saúde debilitada, Dom Pedro Casaldaliga vive em sua comunidade religiosa, assistido por alguns freis, em uma casa na cidade de São Félix.
Dificuldades em falar, mas lucidez total
“Ele está bastante fragilizado por causa da idade e da doença de que sofre, claro, o incapacita na comunicação... ele tem certa dificuldade de falar, mas acompanha muito bem, está muito lúcido. Para mim foi uma experiência muito emocionante, muito forte, porque há muito tempo eu estava querendo encontrá-lo de novo, porque é claro que ele não consegue mais vir às nossas reuniões e assembleias. Tem sido um homem de referência para nós aqui no Brasil e não só no Brasil, por causa de sua luta que mora ali na região e onde ele sofreu muita perseguição, muitas ameaças de morte... no entanto, ele nunca teve medo. Sempre esteve à frente de seu povo, dando coragem, dando esperança, denunciando. No início teve também muitos problemas com as fazendas enormes aonde havia trabalho escravo. Ele denunciou isso muito fortemente e por isso foi perseguido bastante”.
Um legado que tem continuidade
“Isto marcou muito a sua Igreja, que não tem muita população, em toda a região são cerca de 150 mil habitantes, em cidades pequenas. São Felix fica à margem do rio Araguaia, e logo do outro lado fica a Ilha do Bananal, uma região indígena demarcada. Ali a prelazia tem trabalhado muito em favor de seus índios, assim como de toda a região da Prelazia, que é grande. Pouco povoada, porque há muitas fazendas, enormes, que vão aumentando o agronegócio”.
Dom Pedro, mesmo com dificuldade para falar, deixou dois recados importantes:
“Uma das palavras que a gente sempre entende quando ele fala, com a voz muito sumida, é ‘esperança’, que não percam a esperança. Ele acompanha, recebe as notícias do que está ocorrendo no Brasil”.
“Também outra palavra que me disse em um certo momento que era para dizer ao Papa Francisco que ele está plenamente apoiando o Papa em todo o seu trabalho. A gente via como ele está feliz com o Papa Francisco”.
(CM)
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Dom Pedro Casaldaliga: 90 anos de poesia e profecia
Dom Adriano Ciocca fala da celebração da Eucaristia de Ação de Graças na Prelazia de São Felix do Araguaia pela presença e o testemunho que o bispo catalão ofereceu ao Mato Grosso, ao Brasil e ao mundo.
Cristiane Murray - Cidade do Vaticano
Nascido na Catalunha, Espanha, no dia 16 de fevereiro de 1928, Dom Pedro Casaldaligacompleta 90 anos daqui a poucos dias. Chegado ao nosso país em 1968 como missionário, Paulo VI o nomeou em 1971 como primeiro bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso, naquela época uma região com um alto grau de analfabetismo, marginalização social e latifúndios, o que significava pobreza e injustiça para muitos e privilégios para poucos.
O testemunho do bispo atual
O bispo Adriano Ciocca, depois de 13 anos em Pernambuco, conduz a Prelazia de São Felix desde 2012. E é ele que nos conta que no próximo dia 16, estará com todos os agentes de pastoral da Prelazia junto a Dom Pedro, celebrando uma Eucaristia de Ação de Graças pela presença e o testemunho que este bispo, poeta e profeta, ofereceu ao Mato Grosso, ao Brasil e ao mundo.
O Vale dos Esquecidos
“Para a realidade do Vale do Araguaia, batizado por Dom Pedro como ‘Vale dos Esquecidos’ devido à situação de abandono e falta de estruturas e do descaso dos governos estadual e federal, a presença de Dom Pedro e da equipe da Igreja católica Dom Pedro, foi essencial para começar a estruturar socialmente o território”.
Escola para professores e cursos universitários
“Foi graças ao trabalho de Dom Pedro e da equipe que ele montou que se começou a ter um mínimo de atendimento de saúde. Foi através da Prelazia que foi fundada uma escola de formação de professores, e a maioria dos professores até não muito tempo atrás foram formados nesta escola”.
“Foi também graças à intervenção de Dom Pedro que se estabeleceram na região algumas faculdades de cursos universitários e sobretudo, a presença dele e da Prelazia na área se qualificou, no tempo da ditadura militar, como uma presença corajosa, profética, denunciando o descaso do governo para com as populações autóctones (os indígenas), denunciando o trabalho escravo e a situação de falta de segurança e de condições dos ribeirinhos”.
Assentamentos para os pequenos agricultores
“O trabalho que a Prelazia desenvolveu fez com que em todo o território surgissem projetos de assentamentos para os pequenos agricultores, que puderam se situar, viver e produzir. Praticamente todos os 15 municípios da Prelazia têm assentamentos. Infelizmente, porém, devido ao avanço do agronegócio e à falta de uma política coerente de apoio à agricultura familiar, estes projetos de assentamentos estão ameaçados de desaparecer”.
A equipe de Pastoral da Prelazia
“De qualquer forma, andando pela Prelazia, visitando as famílias, especialmente as que já estavam aqui no tempo de Dom Pedro, todos reconhecem que é graças ao trabalho dele e da equipe pastoral da Prelazia que houve a estruturação do território e um mínimo de respeito pelos direitos humanos e uma perspectiva de vida mais organizada do ponto de vista social”.
07 fevereiro 2018, 07:43






