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domingo, 3 de fevereiro de 2019

Advogado de Asia Bibi diz que ela está no Canadá

Advogado de Asia Bibi diz que ela está no Canadá

Depois de Rahaf Mohammed al-Qunun, a saudita que fugiu da família, o Canadá de Justin Trudeau aceitou agora receber a cristã paquistanesa Asia Bibi, que viu a absolvição confirmada no final de janeiro, depois de ter sido presa há dez anos acusada de blasfémia por ter ousado beber água do mesmo poço do que mulheres muçulmanas e de as ter questionado sobre o profeta Maomé
Asia Bibi, cristã paquistanesa de 48 anos, encontra-se no Canadá, confirmou o seu advogado, citado por um jornal alemão. "Ela está agora reunida com a sua família", disse Saif-ul-Malook ao Frankfurter Allgemeine Zeitung, sendo que duas filhas de Asia Bibi (ela tem cinco filhos) vivem no país liderado pelo liberal Justin Trudeau.
O advogado não divulgou mais detalhes sobre a saída da mulher do Paquistão. Por razões de segurança. A informação foi divulgada depois de, no final de janeiro, o Supremo Tribunal do Paquistão ter rejeitado o recurso contra Asia Bibi por não ter encontrado "nenhum erro no veredicto que a absolveu", no final do ano passado.
A história desta cristã paquistanesa começou quando, em 2009, foi beber água do mesmo poço do que mulheres muçulmanas. Estas protestaram e consideraram que, por ela ser cristã, o recipiente da água ficaria contaminado. E exigiram que ela abandonasse a fé cristã e se convertesse à religião islâmica. Em sua defesa ela disse que Jesus Cristo morrera na cruz pela humanidade e perguntou o que é que Maomé tinha feito por elas. Ao ouvirem tais palavras, as mulheres foram ter com o imã local e a polícia, tendo Asia Bibi sido acusada de blasfémia, sendo presa e condenada à forca.
Ao longo dos anos repetiram-se os apelos para que fosse perdoada e libertada. Mas nada. Em conjunto com a jornalista francesa Anne-Isabelle Tollet, que foi correspondente de guerra no Afeganistão e no Paquistão, escreveu a sua história em livro. Blasfémia, assim se intitula, estando publicado em português. Atualmente chefe de redação da CNews, Tollet foi correspondente da France 24 em Islamabad, capital do Paquistão, durante anos, tendo recebido em diversas ocasiões ameaças de morte por falar com Asia Bibi, bem como com o marido desta, Ashiq Maliq.
A confirmar-se pelas autoridades canadianas a presença de Asia Bibi no Canadá, este é o segundo caso de asilo de grande importância internacional a ser prestado pelo país do primeiro-ministro Justin Trudeau só no mês de janeiro. No início do ano, Rahaf Mohammed al-Quun, jovem saudita que fugiu da família, com apenas 18 anos, chegou ao Canadá via Tailândia. Foi nesse país que fez escala, depois de escapar à família no Koweit, embora o seu plano inicial fosse viajar para a Austrália. Decidiu pedir asilo após receber ameaças de morte da sua família por ter rejeitado um casamento arranjado e também o islão.
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Canadá anuncia que receberá 1.200 yazidis e outros sobreviventes do Estado Islâmico

Canadá anuncia que receberá 1.200 yazidis e outros sobreviventes do Estado Islâmico

Yazidis são uma minoria curda considerada herege pelo Estado Islâmico.Governo do Iraque e agência da ONU ajudam na identificação de vulneráveis.

Imagem de 2014 mostra Yazidis caminhando em direção à Siria para escapar do Estado Islâmico (Foto: Rodi Said/Reuters)Imagem de 2014 mostra Yazidis caminhando em direção à Siria para escapar do Estado Islâmico (Foto: Rodi Said/Reuters)
Imagem de 2014 mostra Yazidis caminhando em direção à Siria para escapar do Estado Islâmico (Foto: Rodi Said/Reuters)
O Canadá receberá neste ano 1.200 indivíduos que tenham sofrido perseguição do grupo radical Estado Islâmico (EI), anunciou nesta terça-feira (21) o ministro de Imigração, Ahmed Hussen, assinalando que 400 deles já haviam chegado ao país.
"O Canadá está trabalhando com a Agência da ONU para Refugiaods, com cooperação e apoio do governo do Iraque, para identificar yazidis vulneráveis e outros sobreviventes do Daesh (acrônimo em árabe do Estado Islâmico), tanto dentro como fora do Iraque", diz comunicado do governo canadense.
Os yazidis são uma minoria curda adepta a uma religião pré-islâmica. Não são árabes, nem muçulmanos, e o EI os considera como politeístas hereges. Desde o avanço do EI, dezenas de milhares de yazidis se refugiaram no monte de Sinjar, onde permaneceram durante dias sem água e alimentos.
Milhares de homens foram massacrados, enquanto as mulheres eram raptadas e muitas vezes submetidas à escravidão pelos extremistas. A ONU qualificou estes ataques como "tentativas de genocídio".
A nota do governo canadense diz que é esperado que a maioria dos 1200 indivíduos acolhidos será de yazidis, mas que a escolha não é baseada em religião ou etnia. Os sobreviventes do EI que serão recebidos no país "incluem mulheres e crianças Yazidi e suas famílias, imigrantes, refugiados e cidadãos do Canadá", segundo comunicado.
"Nossa operação está em curso e os refugiados que sobreviveram ao EI começaram a chegar ao Canadá nos últimos meses", disse Hussen à imprensa. "Nosso governo vai instalar no Canadá cerca de 1.200 sobreviventes muito vulneráveis, assim como os membros de suas famílias", indicou.
A atenção do Canadá está voltada para "as mulheres e meninas", assinalou Hussen.
"Nossos esforços mostraram que o EI também aponta deliberadamente para os meninos, enquanto tentaremos ajudá-los a se reinstalarem aqui", acrescentou.
No outono boreal passado, o Parlamento canadense havia adotado uma resolução que previa a chegada ao país, em quatro meses, de yazidis que escaparam de perseguições do EI no norte do Iraque, qualificadas como "genocídio" por Ottawa. Os yazidis que já chegaram ao país foram submetidos a controles de segurança e biométricos exaustivos, assim como a exames médicos, disse Hussen.
O custo da iniciativa foi avaliado em 28 milhões de dólares canadenses (US$ 23 milhões).
Desde a chegada de Justin Trudeau ao governo, em novembro de 2015, o Canadá recebeu mais de 40.000 refugiados sírios.